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PRÉ-VESTIBULAR COOPERATIVO
Prece Dobra Número de Estudantes na Universidade.
No dia em que saiu o resultado do último vestibular da Universidade Federal do Ceará, o professor universitário Manoel Andrade, coordenador do Projeto Educacional Coração de Estudante (Prece), ficou feliz por dois motivos: 20 candidatos -- 24% dos alunos do Prece que prestaram o exame -- foram aprovados (apenas 8,5% de todos os inscritos passaram na prova da UFC). Além disso, muitos dos 60 estudantes que ficaram sem vaga na universidade continuam a fazer parte da organização, ampliando o alcance do empreendimento.
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Os 40 alunos que passaram para a segunda fase do vestibular.
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O Prece, um dos 17 projetos selecionados pela BrazilFoundation em 2003, começou há cerca de dez anos e hoje atende a aproximadamente 400 jovens e adultos em áreas carentes do Ceará, principalmente na região rural onde o acesso à educação formal é difícil. Antes das 20 deste ano, o Prece tinha levado 22 pessoas ao ensino superior.
O professor Andrade explica que os vestibulandos são os principais agentes para a expansão do Prece. O grupo que não entra para a universidade se transforma em capital humano para ampliar o projeto e criar novas células de ensino no interior do Ceará e na periferia da capital, Fortaleza. "Precistas" veteranos e estudantes universitários que foram beneficiados tornam-se monitores e ajudam na formação de uma nova geração de alunos.
A base de ensino do Prece são o estudo em grupo e os conhecimentos compartilhados. Há poucas aulas expositivas; os cerca de 400 alunos dividem o que sabem com os colegas. O Prece atua em seis localidades no Ceará, mas sua maior concentração de estudantes está hoje em Pentecoste, a 85 quilômetros de Fortaleza. Cipó, a comunidade rural onde o professor Andrade nasceu, faz parte do município.
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Nos dias que antecederam o vestibular o grupo ficou em “concentração” se preparando para as provas, em Fortaleza.
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Para ser aceito no Prece basta apenas querer estudar. O projeto acolhe alunos de graus variados de conhecimento - dos que tiveram educação formal insuficiente e só precisam de um empurrão para entrar na universidade aos adultos que não foram muito além da alfabetização. Graças ao grande esforço coletivo, o sonho da educação superior - que é apenas um dos objetivos do Prece - parece estar ao alcance de todos.
Um exemplo disso é o agricultor José de Paulo Firmiano de Sousa, conhecido por José Alfredo, de 44 anos. Depois de sete anos no Prece, concluindo a educação básica com supletivos, vai estudar Agronomia. A filha Daiana Paula Rodrigues de Souza, de 22 anos, também foi aprovada e vai cursar Geografia. Além da barreira social, José Alfredo teve que vencer também o preconceito de vizinhos e conhecidos, que criticavam sua vontade de estudar mais. Diziam: "Velho estudando só serve para morrer sabido". O apoio da família o ajudou a superar as dificuldades.
Outro objetivo do projeto é estimular o "protagonismo", ou seja, a iniciativa do cidadão de transformar a comunidade onde vive. Andrade prevê que três novas áreas do estado vão ter em breve grupos de estudo pela iniciativa de "precistas" veteranos, que se deslocavam para participar das aulas do Prece e agora levam a idéia para suas comunidades.
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José Alfredo, com a filha Daiana.
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Este ano, um dos desafios do Prece é conseguir mais fundos para financiar seus gastos. O projeto fornece ajuda de custo aos estudantes universitários, e os 20 aprovados vão dobrar essa despesa. Além disso, o grupo viaja nos fins de semana para ajudar os que se preparam para o vestibular. A Kombi do grupo, que ainda nao está toda paga, ficará pequena para transportar os alunos da UFC para Pentecoste e para os outros núcleos. O Prece tambem pretende aperfeiçoar este ano o planejamento financeiro para gastar menos e atender a mais gente.
"Queremos aproveitar nossos resultados e experiência e consolidar um novo modelo de educação para adultos que desejam ingressar no ensino superior, mas não tem condições de pagar uma boa escola", explica Andrade. O Prece já demonstrou que o esforço pessoal e a eficiência da metodologia empregada levam à aprovação de seus alunos. O grande desafio agora está na sobrevivência e na expansão deste trabalho.
- Por Janaina Borges
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